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Dr. Fábio Bellot Noronha

1. Quais títulos você obteve no NUCAT e em que ano concluiu a sua formação?

Concluí o meu mestrado em 1989 e o meu doutorado em 1994.

2. Quais foram os títulos da sua dissertação de mestrado e da sua tese de doutorado?

Minha dissertação de mestrado teve como título "Estudo de Catalisadores Pd-Cu/Nb2O5 na hidrogenação do butadieno". Já a minha tese de doutorado foi intitulada "Caracterização de Catalisadores Bimetálicos Pd-Co suportados em grafite e em óxido de nióbio".

3. Como foi a sua trajetória profissional e acadêmica após deixar o NUCAT?

Após defender minha tese de doutorado, permaneci no NUCAT como pesquisador de pós-doutorado por um ano e meio. Em outubro de 1996, ingressei no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) por concurso público, onde desenvolvi minha carreira como pesquisador. Entre 1999 e 2000, realizei um pós-doutorado com o professor Daniel Resasco, na The University of Oklahoma, ampliando minha experiência internacional.

Ao longo da carreira, passei a integrar o corpo docente permanente de diversos programas de pós-graduação, incluindo o Programa de Pós-Graduação em Química do Instituto Militar de Engenharia (IME), o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Biossistemas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e, mais recentemente, o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A experiência adquirida durante meu doutorado-sanduíche no Institut de Recherche sur la Catalyse, em Lyon, consolidou uma colaboração duradoura com grupos de pesquisa franceses. Como resultado, tornei-me professor visitante da École Centrale de Lille, desde 2019, e da Universidade de Lorraine, em Nancy, em 2026.

Também tive a honra de ser eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências, em 2021, e membro da The World Academy of Sciences (TWAS), em 2023.

Desde o início da minha formação na COPPE, mantenho uma participação ativa na comunidade brasileira de catálise. Sou sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat), atuei como supervisor da Regional 2 entre 2007 e 2011, presidi a Comissão Científica do 15º Congresso Brasileiro de Catálise e do 5º Congresso de Catálise do MERCOSUL, realizados em Búzios, em 2009, e fui co-chair do 8th Natural Gas Conversion Symposium, realizado em Natal, em 2007. Atualmente, coordeno a organização do 24º Congresso Brasileiro de Catálise, que será realizado em Búzios, em 2027.

No âmbito da atuação institucional, representei o Brasil na International Association of Catalysis Societies (IACS) entre 2008 e 2023. Atualmente, sou pesquisador 1A do CNPq e atuei como membro do Comitê Assessor de Engenharia Química do CNPq entre 2023 e 2026. Na CAPES, exerci a função de coordenador adjunto do mestrado profissional da área de Engenharias II entre 2013 e 2018.

4. Qual foi o principal aprendizado ou experiência marcante que o NUCAT proporcionou para sua carreira?

O meu período de mestrado e doutorado no atual NUCAT foi decisivo para a minha formação profissional e pessoal. Foi ali que aprendi os fundamentos da catálise heterogênea e tive meu primeiro contato com diversas técnicas de caracterização, construindo uma base sólida que orientou toda a minha carreira.

O que mais me marcou foi aprender a fazer ciência com recursos muito limitados. Naquela época, precisávamos compreender profundamente os princípios por trás de cada técnica e, muitas vezes, construir nossos próprios experimentos. Lembro, por exemplo, de montar isotermas de adsorção de hidrogênio utilizando uma unidade de vidro e um catetômetro de mercúrio, calculando cuidadosamente o deslocamento da coluna de mercúrio para alcançar a dispersão esperada do catalisador. Hoje, muitos desses procedimentos são automatizados, mas aquela experiência me ensinou a valorizar os fundamentos da experimentação e despertou o desejo de um dia trabalhar com as técnicas modernas que conhecíamos apenas pela literatura científica.

No entanto, o maior legado que levo do NUCAT não foi apenas o conhecimento técnico. Foi o espírito de colaboração, a amizade e a paixão pela ciência que compartilhávamos. Éramos um grupo pequeno, mas muito unido. Conhecíamos o trabalho uns dos outros, acompanhávamos o desenvolvimento de cada pesquisa e celebrávamos cada conquista como uma vitória coletiva.

Comemorações de defesas de tese, os churrascos, os passeios, as partidas de futebol no sítio do José Luiz e a convivência diária construíram amizades que permanecem até hoje. Alguns desses amigos já não estão mais entre nós, mas as lembranças e os valores que compartilhamos continuam vivos. Esse ambiente de companheirismo e entusiasmo pela ciência foi, sem dúvida, a experiência mais valiosa que o NUCAT me proporcionou e um dos maiores legados da minha trajetória.

5. Que conselho você daria aos atuais alunos e pesquisadores do NUCAT?

Aproveitem ao máximo o período em que são alunos! Procurem aprender tudo o que podem, explorem novos conhecimentos, pois nesse período vocês têm liberdade para testar coisas novas, novos desafios, isto faz parte do aprendizado. Curtam a ciência! Mas façam isto junto com os seus colegas, ajudem, peçam ajuda, dividam! A sua conquista vai ser muito mais marcante! Façam amizades, aproveitem aqueles momentos que depois farão parte da sua memória.

6. Você tem alguma lembrança marcante, curiosa ou divertida do período em que esteve no NUCAT que gostaria de compartilhar?

No período em que fazia o meu mestrado, o grupo fazia testes em escala piloto de longa duração para várias empresas. Muitas vezes, passávamos noites em claro para acompanhar nossos experimentos que não estavam dando certo! De certa forma, participávamos também destes testes, alguns dos quais levariam a gente a ser processado hoje em dia pela associação de proteção dos animais. Havia um técnico, chamado "Seu" Manoel, que realizava testes que produziam CO, altamente mortal. Como não tínhamos detectores de gases naquela época, o "Seu" Manoel deixava uma gaiola com um passarinho do lado da unidade. Caso houvesse algum vazamento de gás, a morte do passarinho avisaria todo mundo a sair do laboratório, pois havia algum vazamento!

Realização de Teste Catalítico com Injeção Manual e um Integrador e Registrador de Papel

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Núcleo de Catálise COPPE | UFRJ

Programa de Engenharia Química

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